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Acasamento

Nossos olhos se cruzaram na altura daquele encontro. Uma rua sem saída desembocou numa avenida e ali mesmo estava sendo feita a história dessas páginas.

Venta muito, porque é Agosto, porque o Sol está em virgem, e meu mundo de cabeça pro lado. Avistei logo ali na fronte um par de olhos que, naquele instante, a luz da tarde fez-me crer serem meus. Digo, cor de mel.

Fale comigo, pois, que eu me lembre, esta é a primeira vez que passo por essa rua. E de igual maneira é possível que venha a ser a última. 

Venha! que a rua calma não me permite ser calmo também. Fale comigo, que pode ser a única vez que passo por essa rua, pois, até que tenho certeza: não voltarei, que de voltar não tenho fé. Nunca mais trilharei por estes caminhos que têm pedras inúmeras e que por isso fale comigo porque passa o tempo e tenho pressa e da próxima pode ser muito muito tarde.

“Fale comigo”: não foi o que te avisaram estes meus olhos mudos? Quem sabe, agora, eu volte depois. Ah! estes meles olhos... Não consigo entender o que me dizem, porque penso muito em nada, porque venta demais e tuas costas estão muito a favor da brisa. Fale comigo, por favor: já não há mais tanto tempo! Eu terei que me esforçar um pouco mais pra conceder mais tempo de vida ao nosso acasamento. Teus ombros já estão limítrofes em meu campo de visão, meu pescoço já dá indícios de começar a doer e, dessa forma, que deus nos livre!, teremos que dizer adeus pra sempre.

Seria, de fato, um atroz encanto se tu ouvisse o que disseram meus covardes olhos quando, na tua brilhosa face, colidiram tragicamente.
Ah! se ouvissem mais esses olhos. Ah! se nos houvesse mais tempo!

É que eu vou por aqui. Vou nesta outra direção, e se por acaso o movimento voltar, por favor, fale comigo, que sei que mais difícil que valer a pena o regresso, é convencer que valho tanto a ponto de fazer querer ficar.