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De onde é que te conheço?

“De onde é que eu te conheço...?”
No meio instante, no entreolhado, 
eu perderei fala e pensarei comigo:

“Te conheço de vista!”
Na muvuca, de longe! eu te reconheceria.
porque já conheci todas as tuas esquinas,
teus sorrisos ao mundo
teus gemidos a sós
Já te conquistei uma terra inteira,
já te tive em ângulos que poucos foram sortudos em ver.

De onde é que te conheço?

“Te conheço de nome!”
que esse nome me ecoou por toda parte,
repetido incansavelmente como fosse um feitiço
Eu invocava-te, tendo controle do que acontecia
porque sabia teu nome
Brincando com as sílabas 
te inventei um apelido,
e agora te escuto nas ruas, nos jornais,
nas calçadas.

Ainda se me perguntarem,
de onde é te conheço?...

“Te conheço por um amigo!”
e esse amigo já sabe de tudo
e finge que não nos escutou mudos e ofegantes
porque as paredes eram finas.
E esse amigo não mais importa de onde o tenhamos conhecido
mas é importante dizer que foi um acaso
e que agora te conheço, 
e é o que, portanto, importa mais

Noutra vez,
de onde é que te conheço?...

“Te conheço da internet!”
por alto, pelos jobs,
pelas aventuras da rede,
pela conexão que tivemos.
E te conheço além dos sorrisos:
conheço teu choro, que não é postado,
e essa outra face, inoculta da Lua
que ainda menos se mostra e se publica.

Mesmo assim, quando me perguntarem...
de onde é que te conheço??
conheço da vida. É meu amigo.
e não poderei dizer mais nada.