Me atenho aos tolos apegos que, tão tímidos, nem posso dizer que criaram qualquer coisa entre nós dois. Teu sorriso e gestos tão teus e tuas feições religiosamente louvadas por todos, ambas causas, me mantiveram suficientemente acovardado de mim mesmo pra assumir seriamente que te queria.
Sinto-me apunhalado e, muito por isso, sei que te quero. Sinto que perdi um bilhete dourado, mas nunca o tive, de fato, senão pelo introvertido e intenso desejo que mantive comigo, e que te dei em doses risonhas e constrangedoras sempre que pude. Você já ouviu falar de mim? Tenho esse cabelo rebelde ao toque e uma pele não menos amarga do que meu próprio amor. E as palavras são torpes rolhas na garrafa de minha garganta. De conversas, não seria capaz de tê-las, porque esbarrariam num afeto tão problemático que tudo tornaria-se complexo demais para formar frases inteiras e gestos coesos.
Tudo aquilo que falo guarda um segredo em si mesmo. E cada coisa torta que digo quer mesmo é dizer que te quero.
Tenho essa necessidade de me quebrar em várias peças, e de achar que posso consertá-las fazendo poemas. E por me considerar tão desmerecedor de ser de ti, tão ideal em meus olhos, resolvi me dedicar a outros menos que cortaram minha carne e esmigalharam meus órgãos.
É que eu não teria chance - em palavras mais simples que deveria tê-las usado. Porque sou inseguro demais. Porque não me considero de tanta beleza. E porque sou o menino que não sabe dizer. Porque quis evitar sofrer e, repassando, em poucos segundos, muitos dos infinitos cenários em minha mente, acreditei apenas naqueles em que eu não estou à sua altura e, por isso, nem ousei.
Querido Pedro, que a sorte de tê-lo à minha vista se multiplique nos futuros próximos, e que eu não deixe morrer, nos esquecimentos de uma carta, os amores que virão.
Sinto-me apunhalado e, muito por isso, sei que te quero. Sinto que perdi um bilhete dourado, mas nunca o tive, de fato, senão pelo introvertido e intenso desejo que mantive comigo, e que te dei em doses risonhas e constrangedoras sempre que pude. Você já ouviu falar de mim? Tenho esse cabelo rebelde ao toque e uma pele não menos amarga do que meu próprio amor. E as palavras são torpes rolhas na garrafa de minha garganta. De conversas, não seria capaz de tê-las, porque esbarrariam num afeto tão problemático que tudo tornaria-se complexo demais para formar frases inteiras e gestos coesos.
Tudo aquilo que falo guarda um segredo em si mesmo. E cada coisa torta que digo quer mesmo é dizer que te quero.
Tenho essa necessidade de me quebrar em várias peças, e de achar que posso consertá-las fazendo poemas. E por me considerar tão desmerecedor de ser de ti, tão ideal em meus olhos, resolvi me dedicar a outros menos que cortaram minha carne e esmigalharam meus órgãos.
É que eu não teria chance - em palavras mais simples que deveria tê-las usado. Porque sou inseguro demais. Porque não me considero de tanta beleza. E porque sou o menino que não sabe dizer. Porque quis evitar sofrer e, repassando, em poucos segundos, muitos dos infinitos cenários em minha mente, acreditei apenas naqueles em que eu não estou à sua altura e, por isso, nem ousei.
Querido Pedro, que a sorte de tê-lo à minha vista se multiplique nos futuros próximos, e que eu não deixe morrer, nos esquecimentos de uma carta, os amores que virão.