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Rubens

Que mania feia essa minha de ficar tentando adivinhar o nome do povo! De vez em quando eu pergunto pras pessoas de que nome eu tenho cara, porque é uma coisa curiosa a nossa capacidade de achar que alguns rostos poderiam ter nomes mais apropriados. Eu quase sempre escuto que meu nome combina comigo, e então eu me divirto pensando também se os meus amigos têm a cara dos nomes deles. E me divirto imaginando que nomes têm os estranhos da rua.

Pra mim todo homem alto, branco e calvo tem cara de Rubens. Se tiver barriga grande aí é mais certo ainda: Rubens.

Não que Rubens seja nome de velho, acho que é mais que isso. Rubens é nome de homem cansado, bocejos, braços largos, barba por fazer. Rubens trabalha num escritório, tem três filhos e já está no segundo casamento… Outro dia, entrou no metrô um homem todinho um Rubens: de calça jeans, a barriga pendendo, blusa cinza. Era parrudo, cabelos brancos na barba mal feita e aquele ar de quem trai a esposa porque quer sentir que a vida é mais do que leis e recibos fiscais. Bobagem! Trair esposa não é coisa de Rubens, é coisa de homem mesmo. Mas eu poderia apostar que se eu gritasse RUBENS! aquele único homem, no metrô, me olharia espantado e responderia: “pois não?” 

E aí semana passada, no meio do Present Simple pras crianças, uma mãe bate na porta da minha sala de aula com o menininho mais simpático e alegre do mundo:
— Professor, boa tarde! Esse aqui é o Rubens.