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Trecho de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

        Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado: 

        – Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor? 

        Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo. 

        Da terceira vez em que se encontraram — pois não é que estava chovendo? — o rapaz, irritado e perdendo o leve verniz de finura que o padrasto a custo lhe ensinara, disse-lhe: 

        – Você também só sabe é mesmo chover!

        – Desculpe. 

         Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.