Minha mãe tinha dois coelhos. Dia desses nasceram uns seis coelhinhos pedindo peito e calor, e a mãe deles nada de assisti-los...
Primeiro: acontece. Na natureza não tem nenhuma lei que diga o que os coelhos devem fazer. E talvez alguns coelhos morram de fome e de frio. É fato que a maioria dos coelhos sobrevive, porque a mãe deles os aquece e dá de mamar. Mas, mesmo raro, pode haver uma dessas que simplesmente os rejeita e eles padecem. E isso é triste.
Dos dois coelhos de mamãe, o branco, macho, só queria sexo. E ninguém pode culpá-lo: é o que os homens fazem. A pretinha, a outra, só queria paz e desde sempre demonstrou total desinteresse em ser coelha. E ninguém pode culpá-la, porque, quem sabe, ser coelha possa não ser tão fácil assim.
Mais cedo, naquele dia, um cachorro quebrou o pescoço do coelho da minha mãe. E quem pode culpá-lo? É que os cães também têm fome, e coelhos enchem barriga de cães. Engraçado que, como numa cruel traquinagem do destino, não demorou muitas horas e, da coelha inquieta, nasceram seis coelhinhos pedindo peito e calor. E isso é triste. A coelha não deu colo nem alimento, e não se pode culpá-la, porque, me parece, ela nem queria ser mãe. E isso é triste.
Minha mãe me ligou pra contar dessas coisas e eu não soube falar... que sentia muito, e que entendia a sua tristeza e sua aflição de não poder fazer. De ver seis trocinhos que saíram de uma coelha mais-que-aflita implorarem em vão por peito e calor. Não havia muito o que mamãe fizesse, e fazer nada lhe consumia a própria vida por dentro. Mas havia tanto! o que eu pudesse ter dito e, no entanto, eu disse nada.
Eu tinha pouco menos de vinte anos quando percebi essas coisas... Que a gente é tipo coelho, que nasce querendo peito e colo, que às vezes morre porque padece dos dois. Acontece, na natureza, não tem nenhuma lei que obrigue o mundo a nos fazer feliz. E isso é triste.
Primeiro: acontece. Na natureza não tem nenhuma lei que diga o que os coelhos devem fazer. E talvez alguns coelhos morram de fome e de frio. É fato que a maioria dos coelhos sobrevive, porque a mãe deles os aquece e dá de mamar. Mas, mesmo raro, pode haver uma dessas que simplesmente os rejeita e eles padecem. E isso é triste.
Dos dois coelhos de mamãe, o branco, macho, só queria sexo. E ninguém pode culpá-lo: é o que os homens fazem. A pretinha, a outra, só queria paz e desde sempre demonstrou total desinteresse em ser coelha. E ninguém pode culpá-la, porque, quem sabe, ser coelha possa não ser tão fácil assim.
Mais cedo, naquele dia, um cachorro quebrou o pescoço do coelho da minha mãe. E quem pode culpá-lo? É que os cães também têm fome, e coelhos enchem barriga de cães. Engraçado que, como numa cruel traquinagem do destino, não demorou muitas horas e, da coelha inquieta, nasceram seis coelhinhos pedindo peito e calor. E isso é triste. A coelha não deu colo nem alimento, e não se pode culpá-la, porque, me parece, ela nem queria ser mãe. E isso é triste.
Minha mãe me ligou pra contar dessas coisas e eu não soube falar... que sentia muito, e que entendia a sua tristeza e sua aflição de não poder fazer. De ver seis trocinhos que saíram de uma coelha mais-que-aflita implorarem em vão por peito e calor. Não havia muito o que mamãe fizesse, e fazer nada lhe consumia a própria vida por dentro. Mas havia tanto! o que eu pudesse ter dito e, no entanto, eu disse nada.
Eu tinha pouco menos de vinte anos quando percebi essas coisas... Que a gente é tipo coelho, que nasce querendo peito e colo, que às vezes morre porque padece dos dois. Acontece, na natureza, não tem nenhuma lei que obrigue o mundo a nos fazer feliz. E isso é triste.
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| Foto: Withamy dos Santos |
