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Sobras de mim

Na garrafa ainda tem um pouco de água da casa dele. Os chinelos ainda preservam, com certeza, algum grão da rua de lá. Tem um saco com roupas sujas: ele que me deu. As roupas também sujei lá.

Passei uma noite. Passei a noite acordado. Cochilei duas vezes e três vezes sonhei com ele. Eu sou desmedidamente fascinado por aquilo que é mais dos detalhes, que muitas vezes eu nem consigo ver, mas sei que está lá.

Eu tenho saudade, é por isso que conto todas essas sobras insignificantemente lotadas de valor. há de ter algo meu lá, nem que seja cabelo no ralo, areia no tapete, inquietação. Algo ficou. Digo isso com toda certeza, porque voltei e já me sinto menos completo. Eu deixei, com certeza, algo por lá, que, com certeza, quero que lá fique. Não deixei uma paixão, um amor, uma queda. Prefiro pensar que deixei um amigo, que volta, mais dia, menos dia. Que depois de mim também não vai ser mais o mesmo, que vai ter sal dos meus olhos no extraordinário doce de quem é.