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11 de maio de 2022

sopra no meu rosto teus carinhos
e as palavras que guarda pra si
toca minhas folhas, rega meus espinhos
guia-me cego em teus caminhos

o que há com essa vida amarga
de hesitações aa minha frente
que são essas palavras impensadas e esse silêncio por tanto tempo que insiste em ser insistente?

a vida, meu bem, por muito cansada
desgasta teu peito ferido por mim
e de forma que não vejo quando acaba
não espero milagres desse tédio sem fim
e não tenho nem um outro sintagma
que contorne teu ódio, que me dê razão
só queria, sendo tua definição de amor,
são ser teu amor somente por definição

eu pensei não ter fé em deuses
e aceito a natureza daquilo que é.
mas não tenho tanto tempo em terra
e há tantas coisas que me esgotam a fé...
corro rezando terços,
findando guerras,
afogando mágoas,
vivendo contra a maré.

sua decepção, a duras palavras, me sentencia uns anos de memórias
e uns meses de inquietação,
e de remorso, umas horas,
e uns segundos eternos de uma tortura rasa
e uma distância de peitos que me impede sentir em casa.

não sei se é irresponsabilidade...
recuso pensar ser proposital.
eu sei que me ama e me quer bem.
mas me quer, sabendo que me tem?
a que ponto essa pertença,
marcando tanta reticência
esconde um ponto final?

não tenho privilégios contigo
hoje sou só refugiado
procurando abrigo,
abraço, afago
e um ponto que limite
que desfeche esse fado
que traga meu amor de volta

e que seja feliz ao meu lado.