Viajo nos coletivos superlotados e o alívio da descida se torna efêmero passado alguns quarteirões da parada final. As praças ensanguentadas de lixo enfeitam a paisagem de concreto que pesa na superfície do planeta. Os pombos planam do alto do prédio até o piso e se confundem com os indigentes: ambos famintos monstros de cervicais curvadas ao chão.
Nos bancos sentam pacientes e impacientes, alguns de rosto inconformado, ou desesperado, ou indignado ou indiferente. As máscaras protegem dos espirros, das penas das aves, da fumaça dos carros e do odor fétido que a brisa, outrora poética, traz. Tal qual as cerejeiras rosadas do Japão, as flores de jambo se derretem no entorno, enfeitando a fonte desativada, também outrora poética, e hoje retrato de abandono.
Nos bancos sentam pacientes e impacientes, alguns de rosto inconformado, ou desesperado, ou indignado ou indiferente. As máscaras protegem dos espirros, das penas das aves, da fumaça dos carros e do odor fétido que a brisa, outrora poética, traz. Tal qual as cerejeiras rosadas do Japão, as flores de jambo se derretem no entorno, enfeitando a fonte desativada, também outrora poética, e hoje retrato de abandono.
Correm todos desaprumados, observando de olho torto e suor na testa os vulneráveis expostos quase que como exemplo a não seguir. Todos, sem exceção. Se está ruim para mim, pior está para quem está pior do que eu.
Encontra-se, em local reservado (0,5x0,5), na cidade, as raízes daqueles que alguns chamam donos da terra. Tão donos quanto todos nós. Tão vivas quanto somos. A vida, que é uma nascente, desembocou em artérias, músculos, em consciência que nomeou tudo aquilo onde a vida desembocou: folhas, vasos, galhos que não podem se expandir demais, ou atrapalharão os fios dos nossos postes. Todas essas coisas fomos nós que criamos quando criamos as palavras, quando a vida nos criou.
Formas de vida, como nós, atrevidas, ousam rachar nosso asfalto. Como ousam sujar nosso acostamento? Bom é que não têm ouvidos, pois o homem que as pragueja, o faz inutilmente. Ou bom seria se tivessem, pois poderiam desfrutar da melodia que fazem nossos pneus rodando nossas estradas, ou nossas buzinas em harmonia com nossos alarmes... ou a dissonância dos pardais gasguitas também.
Ruma logo para casa, poeta! Ide rápido antes que o dinheiro falte e antes que perca qualquer chance de acabar melhor do que todos estes que sabe-se lá se um dia tiveram qualquer coisa, alguma chance. Que os arranha-céus de Fortaleza, maravilha humana, abençoem todos os que ficam para trás e embaixo de sua sombra repousam a fronte, esperando, dia após dia, qualquer coisa mais interessante acontecer.
Teu caminho é qualquer lugar onde ainda seja possível ver pássaros brincarem com as árvores, e só observar da janela do coletivo, que vai secando e lotando e secando, a fumaça deixada de rastro. A fumaça temperando o ar da praça da cidade em que não vivo, que não almejo, mas que a qualquer momento dessa vida incerta pode se tornar a minha casa.
Formas de vida, como nós, atrevidas, ousam rachar nosso asfalto. Como ousam sujar nosso acostamento? Bom é que não têm ouvidos, pois o homem que as pragueja, o faz inutilmente. Ou bom seria se tivessem, pois poderiam desfrutar da melodia que fazem nossos pneus rodando nossas estradas, ou nossas buzinas em harmonia com nossos alarmes... ou a dissonância dos pardais gasguitas também.
Ruma logo para casa, poeta! Ide rápido antes que o dinheiro falte e antes que perca qualquer chance de acabar melhor do que todos estes que sabe-se lá se um dia tiveram qualquer coisa, alguma chance. Que os arranha-céus de Fortaleza, maravilha humana, abençoem todos os que ficam para trás e embaixo de sua sombra repousam a fronte, esperando, dia após dia, qualquer coisa mais interessante acontecer.
Teu caminho é qualquer lugar onde ainda seja possível ver pássaros brincarem com as árvores, e só observar da janela do coletivo, que vai secando e lotando e secando, a fumaça deixada de rastro. A fumaça temperando o ar da praça da cidade em que não vivo, que não almejo, mas que a qualquer momento dessa vida incerta pode se tornar a minha casa.