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detonação

Os segundos de silêncio que se sucedem depois da morte de alguém devem ser os mais obviamente gritantes. Digo isso por tê-los ouvido em mais de uma ocasião pra constatar. Existe também uma tensão nos momentos que antecedem o impulso de matar. Eu preciso matar e morrer algumas vezes por ano, normalmente, com explosivos. A tensão antes de detonar percorre meu corpo até que eu finalmente solto um último eu te amo. E então tudo vai pelos ares.

Minha amiga Angela explode bombas de vez em quando também, mas sem muito sucesso. E eu a repreendi com a experiência de um mestre em sabotar os fios: amiga, o problema é que você usa pouca munição. As coisas se bagunçam, mas você não morre, e volta depois toda esgarçada. Braços faltando, olhos pra fora da caixa, coração despedaçado, mas sem morrer. E aí, realmente...! Angela, é preciso explodir pra matar. É preciso que haja barulho intenso, equivalente aa intensidade do peito. "Eu sei que, nesta tarde, eu vou morrer, mas eu nasço de novo." Depois do barulho, o silêncio, e então, depois do silêncio eu começo a me juntar pra nascer mais pra frente.