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Oi. (ou "eu falhei e isso me destrói" ou "quando eu descobri o amor, descobri que só ele não bastava" ou "o que foi que aconteceu que eu não vi?")



I'd never live in a small town
I've made too many mistakes 
I’ve tried very hard to be good 
But when they think you're bad, people act worse
Mitski


Oi.

Desculpa aparecer assim.

Eu sei que prometi deixar essa história morrer. 

Mas eu não consegui vencer a dúvida.

Na minha cabeça esse amor nunca acabaria criando feridas.

A gente vai fazendo as coisas do jeito que dá. Algumas coisas a gente faz sem saber muito o porquê, outras coisas a gente faz achando que conhece a razão. E há outras que a gente sabe a intenção que tem, mas simplesmente não controla as consequências. No fim, todas as coisas são meras sombras do que a gente pensa que elas são. 

Eu errei e isso magoa você. Eu não pude ser melhor. Eu falhei e isso me destrói.

A gente fez o que dava pra fazer. Eu fiz o que dava pra fazer, por mais que agora eu me olhe no espelho e grite “você deveria ter feito mais!”. É que eu não acho que saímos o suficiente, não acho que tiramos fotos o suficiente, que beijamos o suficiente, que transamos o suficiente. O mais doloroso dentre essas conclusões é dizer que acho que não nos amamos o suficiente. Mas se é verdade que fotografamos aquilo que temos medo de perder, as nossas câmeras têm a resposta.

Tem coisas que a gente vê partir e se desespera. Tem coisas que a gente manda embora e se alivia. Agora, da janela do meu apartamento novo, meu desespero deve ser quase proporcional ao seu alívio. Mas eu queria que você estivesse aqui pra poder sentir que posso chamar esse lugar de casa. Porque o momento em que mais nos aproximamos daquilo que eu acho que é o amor foi quando aparei os pelinhos do seu bigode. Era quando carregávamos sacolas e sacolas juntos. 


The Sun in your eyes
Made some of the lies worth believing
The Alan Parsons Project


Eu não presto muito atenção no que as pessoas falam, porque eu sei que, na maioria das vezes, elas nem mesmo sabem o que dizem. Eu deveria ter aprendido cedo a escutar o que você me diz — e o que não me diz também. Você sabe exatamente o que falar e a hora de falar, apesar de, eu acho, nunca falar quando essa hora chega. Eu sei disso porque me apaixonei também pela maneira como você escolhe as palavras, de uma forma que não sobre espaços pra conotações. O seu silêncio, já ele, é aquilo que me faz travar disputas com os verbetes, e as suas avoidanças me lançaram ao abandono das minhas próprias conclusões. E há mesmo certas coisas que não se faz por consideração a alguém que dizemos amar: dentre elas, com certeza, está não permitir que esse alguém tenha sozinho todas as discussões, que esse alguém tenha que arrancar significado de onde não recebeu resposta. É pedir demais querer que uma relação a dois seja construída por dois? Mas se eu traí você, serei condenado sem julgamento. Eu tenho ainda o direito de dizer que te amo? Eu tenho ainda o direito de dizer que sofri? 


Eu queria muito ser tão amado a ponto de não ter que ser sempre o primeiro a dizer "eu te amo", nem a receber as declarações que eu faria sem nenhum pretexto. Queria que alguém me segurasse pela cintura toda noite como se fosse a última vez. Como se fosse a primeira vez. "Queria morar no começo das coisas". Mas eu sinto que quase tudo de amor parte de mim, até que o amor me parta. Então, se eu quebrei, eu posso consertar. Então se eu não amei o suficiente, eu posso amar mais: era isso que queria dizer, em suma, as cartas que te escrevi depois de tudo. Aquelas que te entreguei, aquelas que morrerão comigo. Teria sido mais gentil se você as tivesse respondido simplesmente com "me esqueça". Eu deveria ter entendido quando ouvi que eu era uma página virada, mas ainda não sei como é possível pra alguém engolir o que sente e seguir em frente, porque se não fosse também pela mágoa, eu ainda sofreria porque quero te ter e não posso.


tell me when did your winning smile begin to look like a smirk

Taylor Swift


Quando tudo começou, eu sentia que, pra você, era como se tivesse encontrado o par perfeito... sei que é contraproducente imaginar cenários do que poderia ter acontecido, mas eu juro que se você tivesse me dito do que tinha medo, ou o que te incomodava quando eu deixei de ser tudo isso, você não precisaria temer que eu me afastasse, porque eu teria sido a pessoa que ficaria, se você quisesse ficar. 

Mas eu sei que há honestidade pra além das nossas irrelativizáveis covardias, e ela terá as respostas pro fracasso de eu e você. Ela terá as respostas que você não me diria. Ela terá as respostas que não podemos mais nos dar.


Se tudo tivesse vindo a tona enquanto ainda estávamos juntos, eu teria um motivo e poderia dizer: foi isso, foi aqui que acabou! Ao menos eu saberia o motivo do porquê me amar não deu certo. Haveria um certo descanso numa verdade dolorosa que não existe naquilo que fica indeterminado. Eu não precisaria suportar pensar se isso teria mudado alguma coisa ou se ser meu namorado já tinha virado uma tarefa.

Eu deixei a minha dor crescer demais e ficar maior do que eu, e eu sinto sua falta, mas eu acho que sinto mais falta de mim. E é aqui que eu vejo que, infelizmente, você estava certo ao dizer que eu serei feliz de novo. Porque isso significa que, quando não houver nem mesmo a dor comigo, não haverá mais você. 

Desde o começo eu nunca quis ser a pessoa que sempre iria trazer à tona as conversar difíceis. "Mesmo sendo elas que fazem as relações se estreitarem", eu disse. É difícil ser a única pessoa que busca ter essas conversas, é difícil sentir que você está tentando sobreviver justamente ao que nunca é dito. E, por mais que a pergunta que ressoe mesmo dentro do meu peito, da minha cabeça, percorrendo meu corpo por inteiro, seja um vasto e despreenchido "por quê?", o que eu queria mesmo saber é, naquela noite em que você me disse que meu macacão era engraçado, o que é que você quis dizer?