Abril, sem data, porque o tempo, depois de você, desaprendeu a contar.
Também guardo em mim palavras que não ousaram nascer.
Não por falta de corpo,
mas por excesso de verdade.
Há coisas que, quando chegam perto da luz, não é a vergonha que as esconde, é o medo de que, ditas, deixem de ser inteiras.
Em mim, nem tudo vira arte.
Algumas coisas ficam em estado bruto, como pedra que ainda não sabe se quer ser casa ou ruína.
E você…
grande, de presença que ocupava o espaço
como se o mundo fosse pequeno demais, não coube nas palavras que eu sabia usar.
Havia em você um tipo de delicadeza que não combinava com o tamanho,
como se o corpo tivesse vindo antes e a alma tivesse chegado depois, com cuidado, pedindo licença.
Eu vi.
Mesmo sem dizer.
E talvez por isso o silêncio tenha sido o único lugar onde consegui te guardar inteiro.
Porque dizer seria diminuir.
E eu nunca soube reduzir você
a algo que coubesse na boca.
Se você me deu um nome
que não ousou existir na luz,
eu te dei ausência, que é um tipo mais honesto de permanência.
Você virou aquilo que não se chama, mas se reconhece
quando volta, sem aviso,
num detalhe qualquer do dia.
Um gesto.
Um tom de voz que não é o seu, mas poderia ser.
E é curioso, porque também só escrevendo é que eu consigo tocar o que não tivemos.
Como se o que faltou no mundo
tivesse encontrado um jeito de acontecer no papel.
E então eu entendo: não era sobre dizer.
Era sobre sentir até o limite
em que as palavras, exaustas,
se rendem, e deixam o resto existir…
sem nome,
sem explicação,
mas ainda assim
vivo.
Também guardo em mim palavras que não ousaram nascer.
Não por falta de corpo,
mas por excesso de verdade.
Há coisas que, quando chegam perto da luz, não é a vergonha que as esconde, é o medo de que, ditas, deixem de ser inteiras.
Em mim, nem tudo vira arte.
Algumas coisas ficam em estado bruto, como pedra que ainda não sabe se quer ser casa ou ruína.
E você…
grande, de presença que ocupava o espaço
como se o mundo fosse pequeno demais, não coube nas palavras que eu sabia usar.
Havia em você um tipo de delicadeza que não combinava com o tamanho,
como se o corpo tivesse vindo antes e a alma tivesse chegado depois, com cuidado, pedindo licença.
Eu vi.
Mesmo sem dizer.
E talvez por isso o silêncio tenha sido o único lugar onde consegui te guardar inteiro.
Porque dizer seria diminuir.
E eu nunca soube reduzir você
a algo que coubesse na boca.
Se você me deu um nome
que não ousou existir na luz,
eu te dei ausência, que é um tipo mais honesto de permanência.
Você virou aquilo que não se chama, mas se reconhece
quando volta, sem aviso,
num detalhe qualquer do dia.
Um gesto.
Um tom de voz que não é o seu, mas poderia ser.
E é curioso, porque também só escrevendo é que eu consigo tocar o que não tivemos.
Como se o que faltou no mundo
tivesse encontrado um jeito de acontecer no papel.
E então eu entendo: não era sobre dizer.
Era sobre sentir até o limite
em que as palavras, exaustas,
se rendem, e deixam o resto existir…
sem nome,
sem explicação,
mas ainda assim
vivo.
______
Leia Dinho aqui
